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Guerra no Oriente Médio e agronegócio brasileiro: os riscos para a cadeia de suprimentos e as oportunidades para o Brasil

Guerra no Oriente Médio e agronegócio brasileiro: os riscos para a cadeia de suprimentos e as oportunidades para o Brasil

Wake up call para o Brasil e para o Mundo

Uma guerra envolvendo o Irã pode parecer distante, mas para o agronegócio brasileiro o impacto pode ser direto. O Irã está em uma das regiões mais estratégicas do mundo para petróleo e gás.

Qualquer escalada militar pode elevar rapidamente o preço da energia, pressionando o diesel que move praticamente toda a operação do agro brasileiro: tratores, colheitadeiras, transporte de insumos e escoamento da produção.

Talvez, o ponto mais sensível esteja nos fertilizantes nitrogenados. Produtos como ureia e amônia dependem diretamente do gás natural para serem produzidos. Se o preço do gás dispara ou o abastecimento global sofre interrupções, os nitrogenados ficam mais caros ou escassos. Isso afeta diretamente culturas estratégicas como soja e cana-de-açúcar, pressionando custos, margens e produtividade.

Em um país onde o agronegócio sustenta grande parte das exportações, um choque prolongado nesses insumos pode rapidamente se transformar em um problema macroeconômico.

A saída para essa vulnerabilidade passa por reduzir a dependência externa de energia e fertilizantes.

No caso dos combustíveis, o Brasil tem uma vantagem que poucos países possuem. O próprio agro pode gerar parte da sua energia. Avanços em motores agrícolas movidos a etanol, uso de biometano produzido a partir de resíduos agrícolas e da cana, e até sistemas híbridos em máquinas agrícolas podem reduzir a dependência do diesel ao longo do tempo.

Já no caso dos nitrogenados, existem caminhos importantes. A fixação biológica de nitrogênio, já amplamente utilizada na soja, pode avançar para outras culturas com novas tecnologias microbiológicas. O uso de bioinsumos, melhor aproveitamento de resíduos orgânicos do próprio sistema agrícola e o desenvolvimento de amônia verde produzida com hidrogênio gerado por energia renovável podem reduzir a dependência do gás natural importado.

No fundo, uma crise geopolítica como essa expõe uma fragilidade, mas também uma oportunidade. Se o Brasil investir em energia renovável no campo, biometano, bioinsumos e fertilizantes produzidos com energia limpa, o agro pode se tornar menos dependente de cadeias globais instáveis e muito mais resiliente no longo prazo.